25 de março de 2009

Frequência/Distribuição de Frequência com torta de maçã



A frequência é a quantidade de vezes que um mesmo valor de um dado é repetido. Na distribuição da frequência, há um tipo de série estatística na qual permanece constante o fato, o local e a época, onde os dados são colocados em classes pré-estabelecidas, registrando frequências. Utilizando a frequência, podemos resumir e visualizar um conjunto de dados sem precisar levar em conta os valores individuais.

Ela pode ser divida em duas partes:
1) distribuição de frequência intervalar
(variável contínua), método de tabulação dos dados em classes, categorias ou intervalos, onde teremos maior visualização e aproveitamento dos dados.
Ex: frequência de crianças de faixas etárias específicas.

Os principais elementos da frequência intervalar são: a) classe - são os intervalos que os dados estão agrupados; b) limite de classes - são os valores extremos de cada classe; c) amplitude - é a diferença entre o menor valor e o maior valor de um conjunto de dados; d) ponto médio da classe; e) frequência absoluta - número de vezes que cada classe aparece no total de dados; f) frequência relativa - relação entre a frequência absoluta de cada classe e o total de observações; g) frequência acumulada - soma das frequências até a classe considerada ; e h) frequência relativa acumulada - igual à frequência acumulada.

2) distribuição de frequência pontual (variável discreta), é uma série de dados agrupados, na qual o número de observações está relacionada a um ponto real. As variáveis discretas geralmente assumem valores inteiros
Ex: número de filhos de um casal.



Para saber mais:

Levin, J. Estatística aplicada à ciências humanas. São Paulo: Harbra, 1987.
Martins, G. A. Estatística geral e aplicada. São Paulo: Atlas, 2001.

Imagem:

http://blogmiojo.com.br/wp-content/uploads/2008/10/macas.jpg
http://www.abs-cbnglobal.com/Portals/2/images/stories/Apple_pie-wiki380.jpg

24 de março de 2009

Pesquisa Exploratória com doce português



Quando realizamos uma pesquisa, devemos definir qual será nosso objetivo geral, que pode ser classificado em três grupos: exploratória, descritiva ou explicativa. Na presente postagem, irei discutir sobre a pesquisa exploratória, pois é meu foco de estudo na dissertação.

A pesquisa exploratória é vista como o primeiro passo da pesquisa científica e tem como principal objetivo o aprimoramento de idéias e ou a descoberta de intuições. Esse tipo de pesquisa tem por finalidade proporcionar maiores informações sobre o assunto, facilitar a delimitação da temática de estudo, definir os objetivos ou formular hipóteses de uma pesquisa ou descobrir um novo enfoque que se pretende realizar. Nesse tipo de pesquisa o que conta são as novas informações levantadas e não, o diálogo com o conhecimento acumulado.

Normalmente, a pesquisa exploratória envolve o levantamento bibliográfico e documental, observação informal, entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema e análise de exemplos que estimulem a compreensão do assunto estudado. Por mais que seu planejamento seja bastante flexível, quase sempre assume a forma de pesquisa bibliográfica ou estudo de caso.

Resumindo:
- menor rigidez de planejamento;
- não utiliza técnicas quantitativas;
- mostra uma visão geral aproximativa;
- utlização quando o tema é pouco explorado;
- desenvolve, esclarece e modifica conceitos e idéias para estudos posteriores;
- estabelecimento de prioridades para pesquisas futuras...

Para saber mais:
Gil, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 1996.

Triviños, A.N.S. Introdução à pesquisa em ciências sociais. A pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987.

Imagem:
http://www.acasota.com.br/imagens/Azulejo%20Caravelas.jpg

11 de março de 2009

Epidemiologia do TDAH com queijo coalho


A maior parte dos estudos sobre base populacional situa a prevalência do TDAH entre 3 e 5%, porém, quase todas as pesquisas avaliam o transtorno em crianças na idade escolar. No Brasil, encontrou-se uma prevalência de 3,9% em escolares do 2o ano do ensino fundamental. Já em crianças pré-escolares e adolescentes ainda não está claramente estabelecida. NO que diz respeito à crianças de rede estadual na faixa etária entre 12 e 14 anos (adolescência inicial), a prevalência gira em torno de 2 a 4%. Entretanto, é importante ressaltar que a prevalência varia em função do tipo de amostra utilizada (clínica ou populacional), dos instrumentos e critérios diagnósticos utilizados, mas, principalmente, em função da fonte de informação utilizada para avaliação diagnóstica (pais, crianças ou adolescentes e/ou professores).

Quanto ao gênero, meninos e meninas, a proporção varia aproximadamente 2:1 em estudos populacionais e até 9:1 em estudos clínicos. Essa diferença deve-se ao fato das meninas apresentarem menos sintomas de conduta em comorbidade, o que causa menos incômodo às famílias e à escola, consequentemente, menos encaminhadas para tratamento.

Em relação ao nível sócio-econômico e raças, os estudos são escassos, não permitindo conclusões significativas. De acordo com a prática clínica, há uma maior incidência em classes menos favorecidas e não há prevalência significativa quanto à raça.


Para saber mais:

Fichtner, Nilo. Transtornos Mentais da Infância e da Adolescência. Um enfoque desenvolvimental. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

Imagem:
http://3.bp.blogspot.com/_rTvkoOcUIBQ/R1MJQZJwUzI/AAAAAAAAAhE/LG7w_59WQIM/s1600-R/preconceito-full.jpg

10 de março de 2009

TDAH e seu Substrato Neurobiológico com manteiga de garrafa

O conhecimento que temos sobre o substrato neurobiológico do TDAH são decorrentes de estudos utilizando neuroimagem, de neurotransmissores e neuropsicológicos.

Os estudos advindos da neuropsicologia sugerem uma alteração no córtex pré-frontal e/ou de suas projeções a estruturas subcorticais, estando muito relacionado às funções executivas e componentes atencionais. Essas pesquisas também sugerem que o TDAH com história familiar, possue uma grande relação com um aumento de prejuízo neuropsicológico, indicando que esse tipo de TDAH pode identificar um embasamento mais biológico.

No que diz respeito aos estudos de neuroimagem, tanto os estruturais como tomografias e ressonâncias magnéticas, quanto os funcionais como SPECT ou PET Scan, parecem corroborar com o envolvimento de alterações no sistema fronto-subcortical na patofisiologia do TDAH.


Quanto a relação de sistemas de neurotransmissores que se relacionam ao TDAH, a literatura aponta um grande envolvimento das catecolaminas, sugerindo que um baixo turnover de dopamina e/ou noradrenalina possa estar relacionado com a patofisiologia desse transtorno. Entretanto, parece ser consenso entre os pesquisadores que nenhuma alteração em um único sistema de neurotransmissores possa ser o responsável por um transtorno tão heterogêneo quanto o TDAH.

Para saber mais:

Fichtner, Nilo. Transtornos Mentais da Infância e da Adolescência. Um enfoque desenvolvimental. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

Imagem:
http://miudoscriativos.files.wordpress.com/2008/11/bolasabao.jpg
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/1f/Adrenaline_chemical_structure.png

6 de março de 2009

Etiologia do TDAH com feijão de corda

O Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é uma síndrome heterogênea, portanto, sua etiologia é multifatorial, dependendo de fatores genético-familiares, adversidades biológicas e psicossociais.


1) Fatores Genético-Familiares:
Estudos têm demonstrado que os pais de crianças com TDAH possuem uma probabilidade de 2 a 8 vezes de também apresentarem o transtorno. Estudos com gêmeos atribuem cerca de 80% da etiologia desse trasntorno a fatores genéticos. Estudos com crianças adotadas mostraram que os pais adotivos possuem menos chance de apresentarem o transtorno que pais biológicos.

2) Adversidades Biológicas:
Alguns estudos indicam a associação do TDAH com complicações durante a gravidez e o parto, tais como toxemia ou eclâmpsia, má saúde materna, idade da mãe, pós-maturidade fetal, duração do parto, estresse fetal, baixo peso ao nascer e hemorragia anteparto.

3) Adversidades Psicossociais:
As principais adversidades a serem verificadas são baixo nível de educação materno, pobreza, filhos de pais solteiros, conflito parental crônico, coesão familiar diminuída e exposição à psicopatologia parental, especialmente a materna.

No que diz respeito à etiologia, é importante mencionar que não existe evidência empírica na literatura médica para algumas teorias que associam o TDAH com intoxicação por determinadas substâncias como chumbo, aditivos alimentares, açúcar, ou com teorias ortomoleculares de necessidade de vitaminas ou nutrientes.

Para saber mais:

Fichtner, Nilo. Transtornos Mentais da Infância e da Adolescência. Um enfoque desenvolvimental. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

Imagem:
http://1.bp.blogspot.com/_ZUlsFGqcuG4/R73jY5sSsNI/AAAAAAAAALM/SOCGOaWMm34/s400/LogoAdivinha.JPG

5 de março de 2009

Transtorno do Déficit de Atenção e Hipertividade e suas nomenclaturas com feijão tropeiro



Na metade do século XIX, surgem as primeiras referências aos transtornos hipecinéticos na literatura médica. Contudo, foi somente no início do século XX que o quadro clínico foi descrito de uma maneira mais sistemática. Ao longo dos tempos, esse transtorno sofreu alterações na sua nomenclatura. Na década de 40, fala-se em lesão cerebral mínima; nos anos 60, passou-se a utilizar o termo disfunção cerebral mínima. Já nos anos 80, com o surgimento do DSM-III (Manual Diagnóstico e Estatístico das Doenças Mentais), a nomenclatura foi alterada para distúrbio de déficit de atenção, podendo ou não ser acompanhado de hiperatividade. Essa mudança foi baseada em dois fatores: 1) tentativas de incluir a etiologia na definição e na terminologia diagnóstica foram abandonadas em favor de uma aproximação fenomenológica e 2) havia um consenso de que embora a hiperatividade fosse o problema mais chamativo, provavelmente não seria o mais importante. O fator desatenção parecia ser mais central e a hiperatividade era tão importante quanto à impulsividade. A partir dessa época, a tríade desatenção, hiperatividade e impulsividade foi se tornando mais clara.


No final dos anos 80, foi dada maior ênfase à hiperatividade, onde refletiu-se na modificação de sua nomenclatura para distúrbio de hiperatividade com déficit de atenção. Em 1994, com a publicação do DSM-IV, a patologia passou a ser chamada de distúrbio de déficit de atenção/hiperatividade (DDAH). Mais recentemente, a nomenclatura mais utilizada no Brasil é a do Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), trocando o termo distúrbio para transtorno.

Para saber mais:

Fichtner, Nilo. Transtornos Mentais da Infância e da Adolescência. Um enfoque desenvolvimental. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

Imagem:
http://sergeicartoons.blogs.sapo.pt/arquivo/calvin1.jpg
http://roykim.net/foto/gallery/calvin/includes/calvin/calvin.jpg

4 de março de 2009

Delineamento em Pesquisa Evolutiva com carpaccio de carne e mostarda

A partir dos dados obtido em qualquer uma das técnicas precedentes podem ser analisados utilizando um diversidade de estratégias, desde as mais qualitativas até as mais quantitativas. Entretanto, o que garante que uma pesquisa seja evolutiva, não é nem a técnica de coleta de dados, nem os procedimentos utilizados para sua exploração. O que transforma uma pesquisa em inequivocamente evolutiva é a utilização de formatos em que a variável idade tem um papel organizador importante. Basicamente, existem dois tipos de delineamentos evolutivos:

* Longitudinal - estuda-se os mesmos sujeitos ao longo do tempo, com o objetivo de analisar como evoluem as características que são objeto de análise. Esse tipo de formato é o único que permite analisar a mudança intra-individual. À medida que uma coleta de dados se distancia da seguinte, aparecem problemas de mortandade ex
perimental, especialmente prejudicial para a pesquisa quando é de natureza seletiva. Além disso, se a coleta de dados se distancia no tempo, o estudo encarece, e a continuidade da equipe de pesquisadores se vê ameaçada.
* Transversal - estuda-se simultaneamente sujeitos de diferentes idades com o objetivo de analisar quais as diferenças ligadas à idade entre as características pesquisadas. Como é óbvio, esse delineamento não permite fazer o acompanhamento das mudanças intraindividuais, mas tem, ao contrário, a vantagem de sua rapidez e de sua economia se comparado com o longitudinal: em pouco tempo, permite ter-se uma idéia das mudanças fundamentais ligadas à idade. Para esse tipo de mudanças seja bem-documentado através de um delineamento transversal, é fundamental que as amostras de diferentes idades sejam o mais parecidas possível em tudo, exceto na idade, pois a utilização de um grupo de sujeitos de 20 anos socioculturalmente muito diferente do grupo de sujeitos de 30 anos da mesma pesquisa obviamente daria lugar a uma confusão entre os efeitos da idade e os do entorno sociocultural.


Para saber mais:
Coll, Marchesi, Palácios. Desenvolvimento psicológico e educação: psicologia evolutiva - vol.1. Porto Alegre: Atrmed, 2004.

Imagem:
A imagem é meramente ilustrativa, não correspondendo exatamente ao que foi dito acima.
http://www.rlvp.com.br/simpsons/homersapiens.jpg
http://anystuff.files.wordpress.com/2007/06/bar_do_moe.jpg

3 de março de 2009

Métodos Para a Pesquisa Evolutiva com carpaccio de salmão



Depois da temporada de férias-carnaval, voltamos às nossas atividades e postagens normais. Minha primeira postagem pós-carnaval será relacionada à algumas questões metodológicas características da abordagem evolutiva sobre os fatos psicológicos.

Nesta postagem, falaremos sobre alguns métodos utilizados na pesquisa evolutiva: observação sistemática, métodos psicofisiológicos, resolução de problemas padronizados, entrevistas clínicas, questionários, estudos de caso e descrições etnográficas.

* Observação Sistemática - permite registrar as condutas exatamente como são produzidas, seja em um contexto natural, seja em torno de situações estruturadas. As observações eram consideradas típicas de laboratório, mas os argumentos da perspectiva ecológica obrigaram os psicólogos evolutivos a realizar essas observações nos contextos em que as condutas de interesse habitualmente ocorrem.

* Métodos Psicofisiológicos - exploram as relações entre aspectos psicológicos e biológicos do organismo, analisando em que medida determinadas situações se traduzem em reações fisiológicas quantificáveis; como é natural, indicadores como a atividade cerebral e o ritmo cardíaco são alguns dos parâmetros fisiológicos mais utilizados.

* Resolução de Problemas Padronizados - apresenta-se uma mesma setuação para diferentes sujeitos, com as mesmas instruções, as mesmas restrições de tempo para responder, etc., e se anota a execução de cada um, como quando damos um objeto escrito em cada um e pedimos a sujeitos de diferentes idades que procurem memorizar o maior número possível de palavras durante cinco minutos, realizando depois uma prova de evocação.

* Entrevistas Clínicas - são entrevistas semi-estruturadas em que as perguntas vão se ajustando às respostas que o sujeito vai proporcionando; o entrevistador tem em sua mente determinadas hipóteses e vai orientando seu inquérito para verificar se a hipótese é ou não correta.

* Questionários, Testes, Auto-relatos - responde-se uma série de perguntas organizadas de acordo com um determinado propósito e com um diferente grau de padronização, de estruturação interna e de sistemas de categorização das respostas; tipicamente, um questionário pode ser aplicado verbalmente a crianças menores e por escrito para aquelas que já agem com desenvoltura com essa forma de expressão.

* Estudos de Casos - análise de casos singulares em que os aspectos qualitativos e idiossincrásicos são considerados fundamentais.

* Descrições Etnográficas - herdadas pelos psicólogos dos antropólogos, esse tipo de descrições envolve observação participante (ex. viver com um grupo de pessoas), anotações feitas sobre o andamento e sua posterior elaboração para procurar compor um quadro impressionista no qual as pinceladas são os fragmentos de observação.

Para saber mais:
Coll, Marchesi, Palácios. Desenvolvimento psicológico e educação: psicologia evolutiva - vol.1. Porto Alegre: Atrmed, 2004.

Imagem:
http://fmcsolutions.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2007/01/lapis.jpg