30 de maio de 2009

Testes não-paramétricos com sopa de frutos do mar



Quando devemos utilizar testes não-paramétricos?


Essa técnica estatística é utilizada quando não se conhece bem a distribuição da população e seus parâmetros. Eles são classificados de acordo com o nível de mensuração e o número de grupos que se pretende relacionar. Entre eles, destacam-se: Teste de Wilcoxon, Teste do Qui-quadrado, Teste de Mann-Whitney e Teste de Kruskal-Wallis.

O teste de Wilcoxon (ou Wilcoxon Signed Rank Test ou Teste de Postos com Sinais) é utilizado quando são comparados dois grupos relacionados e a variável deve ser de mensuração ordinal. Equivalente ao Teste t pareado.

O teste do Qui-quadrado é aplicado quando estão em comparação dois ou mais gruos independentes não necessariamente do mesmo tamanho e a variável deve ser de mensuração nominal. Sem equivalente paramétrico.

O teste U de Mann-Whitney (ou Wilcoxon Rank Sum Test ou Teste da Soma dos Postos) é utilizado quando se comparam dois grupos independentes e a variável deve ser de mensuração ordinal. Equivalente ao Teste t não pareado.

O teste de Kruskal-Wallis é aplicado quando se comparam três ou mais grupos independentes e a variável deve ser de mensuração ordinal. Equivalente à ANOVA de uma via.

Para saber mais:

Barbetta, P.A. Estatística aplicada às ciências sociais. 5ª ed. Florianópolis, 2002.

Callegari-Jacques, S.M. Bioestatística: princípios e aplicações. Porto Alegre: Artmed, 2003.

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29 de maio de 2009

Desenvolvimento cerebral humano e os primeiros anos de vida com sopa de batata baroa



A partir de uma pesquisa realizada por Shore (2000), foram retiradas cinco conclusões sobre a importância dos primeiros anos de vida para o desenvolvimento cerebral humano.

1 - O desenvolvimento humano depende da inter-relação entre a natureza/biologia (nature) e a criação/ambiente (nurture). Ao longo de todo o processo de desenvolvimento, o cérebro é influenciado não apenas pela herança genética individual, mas pelas condições ambientais também.

2 - O cuidado inicial e a criação têm um impacto decisivo em como as pessoas se desenvolvem em sua capacidade de aprender e em sua habilidade para regular as próprias emoções. A maneira como as pessoas se relacionam e respondem às crianças pequenas e como elas mediam o contato de suas crianças com o ambiente afetam diretamente a formação de caminhos neurais.

3 - O cérebro humano tem uma capacidade incrível de mudar, mas o tempo é crucial. Existem períodos sensíveis, onde o cérebro é particularmente eficiente para tipos específicos de aprendizagens. Durante os primeiros dez anos, a habilidade do cérebro para mudar e fazer compensações é grande, que são chamados de períodos críticos do desenvolvimento.

4 - A plasticidade do cérebro. Existem épocas em que a experiência negativa ou a falta de estimulação adequada são mais suscetíveis a apresentar efeitos duradouros e delatários. O desenvolvimento cerebral reflete um grande número de experiências físicas, cognitivas, emocionais e relacionais: o cérebro se organiza em resposta ao padrão, intensidade e natureza dessas experiências.

5 - Evidências científicas reunidas por neurocientistas e especialistas em desenvolvimento infantil apontam para a conveniência e eficácia de intervenções nos primeiros anos de vida. Crianças nascidas em famílias com menos nível de educação formal são as que mais se beneficiam, cognitivamente, dos programas de intervenção.


Para saber mais:

Schneider, A e Ramires, V.R. Algumas contribuições da ciência sobre o desenvolvimento da primeira infância. Unesco: Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul, S/D.

Shore, R. Repensando o cérebro - novas visões sobre o desenvolvimento inicial do cérebro. Porot Alegre: Editora Mercado Aberto, 2000.

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28 de maio de 2009

Desenvolvimento Infantil com caldo verde


Quando falamos em desenvolvimento, devemos considerar as mudanças que ocorrem ao longo do tempo de maneira ordenada e relativamente duradoura, afetando as estruturas físicas e neurológicas, tais como os processos de pensamento, as emoções, as formas de interação social e outros comportamentos.



Por que estudar o desenvolvimento?
O principal objetivo é compreender as mudanças que aparentam ser universais, além de explicar as diferenças individuais. Outro objetivo é entender melhor a forma como comporntamento das crianças é influenciado pelo contexto ambiental: família, vizinhança, grupo cultural, grupo sócio-ecoômico.

O desenvolvimento infantil é um processo complexo, contínuo e multidimensional, onde podemos incluir a dimensão psicomotora, cognitiva e social. Essas dimensões estão relacionadas e devem ser consideradas de maneira integrada. O desenvolvimento começa antes do nascimento e continua ao longo de todo ciclo da vida.

Para saber mais:

Schneider, A e Ramires, V.R. Algumas contribuições da ciência sobre o desenvolvimento da primeira infância. Unesco: Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul, S/N.

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25 de maio de 2009

Memória autobiográfica e desenvolvimento humano com bolo de aniversário

Do que se trata a memória autobiográfica?

Bom, essa memória se refere a um conjunto abrangente de fenômenos psicológicos e processos cognitivos. Todos esses processos estão relacionados com a capacidade de recordar eventos pessoais. Entretanto, podemos fazer a distinção entre três conceitos: memória autobiográfica, memórias autobiográficas e eventos pessoais. A memória autobiográfica refere-se ao sistema neuropsicológico composto pelos processos cognitivos e seus correlatos anatomo fisiológicos que permitem lembrar do nosso próprio passado. Já as memórias autobiográficas são entendidas como representações de eventos e/ou fatos de nossa história, que podem ser codificadas, retidas, recuperadas e relatadas. Por fim, os eventos pessoais são os acontecimentos concretos do passado que estão sendo representados pelas memórias autobiográficas. A manutenção de memórias desses eventos, como manifestação da memória autobiográfica, é um recurso importante para que um indivíduo mantenha a continuidade da sua identidade pessoal.

Segundo pesquisa realizada por Rubin, Weltzer e Nebes em 1986, identificaram três componentes explicativos para a distribuição de memórias autobiográficas ao longo do ciclo de vida. Primeiro, há um componente de retenção de memória, responsável por um maior número de memórias dos últimos 20 ou 30 anos de vida do indivíduo. Segundo, refere-se ao fenômeno da amnésia infantil, relativo a um baixíssimo número de memórias dos primeiros a cinco ou seis anos de vida. Terceiro, observável em participantes maiores de 35 anos, refere-se à grande freqüência de memórias do período de juventude, dos 20 aos 30 anos de idade.

No ciclo de desenvolvimento, a memória autobiográfica relaciona-se à revisão de vida no envelhecimento, contribuindo para que indivíduos adotem uma atitude integrativa quanto à sua trajetória de vida, e os eventos significativos tornam-se marcos na organização dessas histórias. Quanto ao desenvolvimento da identidade pessoal, eventos marcantes constituem os marcos determinantes da organização da história de vida do indivíduo a se autodefinir, se reconehcer na sua própria experiência e a se expressar a respeito da sua trajetória singular.

Para saber mais:

Oliveira, A. (Org). Memória, Cognição e Comportamento. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2007.

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22 de maio de 2009

Insônia com chá de camomila



Durante esses meses no mestrado, conversando com todos meu colegas, não consegui encontrar um que esteja calmo e tranquilo quanto à sua dissertação. Artigos, coleta de dados, prazos, uma série de preocupações que acabam nos levando à insônia. Como tenho sofrido desse mal, resolvi fazer uma postagem destinada a essa alteração do sono.

A insônia é um sintoma que podemos definir como dificuldade de iniciar e/ou de manter o sono, presença de sono não reparador. Isto é, insuficiente para manter uma boa qualidade de alerta e bem-estar físico e mental durante o dia, com o comprimento conseqüente do desempenho nas atividades diurnas.

As principais causas da insônia:
a) Distúrbios que levam à superficialização e à fragmentação do sono (distúrbios de movimentos, especialmente síndrome das pernas inquietas, apnéia obstrutiva do sono e síndrome do aumenta da resistência das vias aéreas superiores) acompanhada ou não de sonolência excessiva diurna.

b) Fatores ambientais e higiene do sono inadequada podem não somente iniciar como manter (cronificar) a insônia.

c) Quase todos os transtornos psiquiátricos podem potencialmente levar à insônia.

d) Doenças neurológicas (degenerativas, epilepsias, demências...) também levam à insônia, por vezes, de difícil controle.

e) Uso de determinadas substâncias como estimulantes, alguns anti-depressivos, anti-hipertensivos.

Para saber mais:

Souza, J.C.; Reimao, R. Epidemiologia da insônia. Psicol. estud, vol.9, n.1, pg. 3-7, 2004.

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18 de maio de 2009

Níveis de processamento cognitivo com queijo minas



Nessa postagem, continuaremos falando um pouco mais sobre os conceitos básicos que permeiam o modelo cognitivo-comportamental. Beck e colaboradores identificaram três níveis básicos de processamento cogntivo, onde o nível mais alto da cognição é a consciência. Ela é um estado de atenção na qual decisões podem ser tomadas racionalmente. Essa atenção consciente nos permite monitorar e avaliar as interações com o meio ambiente; ligar memórias passadas às experiências presentes; e controlar e planejar ações futuras.

Na TCC, os terapeutas incentivam o desenvolvimento e a aplicação de processos conscientes adaptativos de pensamento, como o pensamento racional e a solução de problemas. Ele também dedica esforço na ajuda de pacientes para reconhecer e mudar o pensamento patológico em dois níveis de processamento de informações relativamente autônomos: pensamentos automáticos e esquemas. Nos próximos posts, explicarei melhor sobre esses níveis de processamento mencionados acima.

Para saber mais:

Wright, J.H.; Basco, M.R.; Thase, M.E. Aprendendo a terapia cognitivo-comportamental. Porto Alegre: Artmed, 2008.

Imagem:

http://www.diabaquatro.com/wp-content/uploads/2007/08/musica-na-cabeca.jpg

15 de maio de 2009

O modelo cognitivo-comportamental com queijo prato


No modelo cognitivo-comportamental, devemos ter em mente quatro componentes principais: o evento, a avaliação cognitiva, o comportamento e a emoção. Nesse modelo, o processamento cognitivo ganha um papel central, pois o ser humano está sempre avaliando a relevância dos acontecimentos internamente e no ambiente ao seu redor, onde a cognição está frequentemente associada às reações emocionais.

Os terapeutas cognitivos-comportamentais podem a partir de uma série de métodos voltados para as três áreas de funcionamento patológico identificadas no modelo básico: cognições, emoções e comportamentos. Esse modelo pressupõe que as mudanças cognitivas e comportamentais são moduladas por meio de processos biológicos e que as medicações psicotrópicas e outros tratamentos biológicos influenciam as cognições.

Pesquisas sobre psicoterapia e farmacoterapia combinadas corroboram com as idéias sobre as influências biológicas na implementação do modelo da TCC. O tratamento combinado pode melhorar a eficácia, especialmente para quadros mais graves, como em depressão crônica ou resistente ao tratamento, esquizofrenia e transtorno bipolar. Portanto, Para direcionar o tratamento, é recomendada uma formulação minunciosa integrada e detalhada que inclua considerações cognitivo-comportamentais, biológicas, sociais e interpessoais.

Para saber mais:

Wright, J.H.; Basco, M.R.; Thase, M.E. Aprendendo a terapia cognitivo-comportamental. Porto Alegre: Artmed, 2008.

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4 de maio de 2009

Pesquisa Experimental ou Quase-Experimental com molho de damasco?


A pesquisa Experimental é um método de investigação que envolve a manipulação de tratamentos na tentativas de estabelecer relações de causa-efeito nas variáveis a serem investigadas. A variável independente é manipulada para julgar seu efeito sobre uma variável dependente. A relação de causa-efeito não pode ser estabelecida através de técnicas estatísticas, mas apenas pela aplicação do pensamento lógico para experimentos com um bom delineamento. Esse processo lógico estabelece que nenhuma outra explicação pode existir para as mudanças na variável dependente exceto a manipulação da variável independente.

Na pesquisa Quase-Experimental, há uma maior dificuldade com o controle de um delineamento. O objetivo do experimentador na realização da pesquisa quase-experimental é tentar preparar um delineamento para o ambiente mais próximo do mundo real, enquanto procura controlar, da melhor forma, algumas variáveis que afetam a validade interna.

Para saber mais:

http://www.ergonomia.ufpr.br/Tipos%20de%20Pesquisa.pdf

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