20 de junho de 2008

Estatística: Resumo ANOVA



Como vimos anteriormente, o objetivo da ANOVA é saber se diferentes níveis das variáveis independentes afetam a variável dependente. Para que essa avaliação seja feita, é necessário que se faça o delineamento ou "design experiments". Nela são usadas informações da amostra para fazer inferências sobre as médias da população com relação aos vários tratamentos.


Nos "design experiments", o pesquisador tenta controlar os níveis de uma ou mais variáveis independendentes para determinar o efeito na variável dependente (resposta, aquela a ser medida no experimento).

Os fatores dos "design experiments" são as variáveis independentes, que podem ser qualitativas ou quantitativas. Cada fator possui um nível, que são valores dos fatores utilizados no experimento. Por exemplo: níveis do fator gênero (qualitativo) - feminino e masculino ou níveis de número de vendedores na loja (quantitativo) - 1, 2, 3, 4 e 5.

As unidades experimentais são os objetos os quais a variável dependente (resposta) e os fatores são observados. Já os tratamentos, são as combinações particulares dos níveis dos fatores envolvidos em um experimento.

Imagem:
http://www.jornalaldrava.com.br/images/gif/don_a_maquina_abstrata.gif



14 de junho de 2008

Estatística: Análise de Variância 2 à moda do chefe

Análise de variância (ANOVA) – Parte 2

A variação entre grupos experimentais ou tratamentos é estimada pela variância entre tratamentos ou simplesmente Variância Entre. A variação dentro do mesmo tratamento é estimada pela média das variâncias de cada grupo: é por isso chamada de variância média dentro dos grupos ou Variância Dentro. Como ela representa também a fração da variabilidade que não é explicada pelo efeito dos tratamentos, é também chamada Variância Residual ou, ainda, Variância do Erro Experimental.

O teste de comparação entre os efeitos dos tratamentos baseia-se na presuposição de que os K tratamentos A, B, C, ... podem originar médias diferentes, mas variação entre os indivíduos é igual em todas as populações que estão sendo comparadas. Em outras palavras, deseja-se testar a hipótese de igualdade entre médias supondo homocedasticidade.

Ho = ua = ub = ... = uk


Deduz-se daí que se houver efeito diferencial entre tratamentos, a variação entre eles deve ser maior que a variação dentro do mesmo tratamento. Ou seja, a Variância Entre deve ser maior do que a Dentro. Isso equivale a dizer que se houver diferença entre grupos, o resultado da divisão da Variância Entre pela Variância Dentro deve ser maior do que 1. Esse cálculo é chamado de razão F de variâncias e seu resultado é comparado com um valor tabelado para então se rejeitar ou não Ho.


Para saber mais:

Sidia M. Callegari-Jacques. Bioestatística. Princípios e Aplicações. Porto Alegre: Artmed, 2003.


Imagem:

http://br.artmajeur.com/0/images/images_home/dianadoctorovich_abstrato.jpg

13 de junho de 2008

Estatística: Análise de Variância (ANOVA) à moda do chefe

Análise de variância (ANOVA) – Parte 1

A análise de variância é um teste estatístico muito utilizado nas pesquisas de psicologia, onde o pesquisador deseja comparar mais do que dois grupos experimentais com relação a uma variável quantitativa. Ela verifica se existe uma diferença significativa entre as médias e se os fatores exercem influência em alguma variável dependente. Isto é, caso sejam comparados quatro grupos em um mesmo experimento, a hipótese nula a ser testada é:

Ho = ua = ub = uc = ud

Na ANOVA, um dos modelos mais simples é a que analisa os dados de um delineamento completamente causalizado ou ANOVA a um critério de classificação (One Way ANOVA). No caso deste modelo, a variação global é subdividida em duas partes. A primeira é a variação entre as médias dos vários grupos, quando comparadas com a média geral de todos os indivíduos do experimento e representa o efeito dos diferentes tratamentos. A outra variação observada entre as unidades experimentais de um mesmo grupo ou tratamento, com relação à média desse grupo: diz respeito às diferenças individuais ou aleatórias nas respostas.


Variação total = variação entre tratamentos + variação dentro dos tratamentos


Para saber mais:

Sidia M. Callegari-Jacques. Bioestatística. Princípios e Aplicações. Porto Alegre: Artmed, 2003.

Imagem:

http://www.faap.br/museu/acervo/images/abstrato.jpg

7 de junho de 2008

Estatística: Variáveis quantitativas e qualitativas ao molho madeira

Desmistificando a estatística - parte 2 !

Ao trabalhar com dados em uma pesquisa, precisamos ter conhecimento das possíveis variáveis que podem estar relacionadas. A principal divisão ocorre entre variáveis quantitativas e qualitativas.


Variáveis quantitativas são aquelas cujos dados são valores numéricos que expressam quantidades, como idade e estatura das pessoas. Elas podem ser classificadas em:



a) Variáveis quantitativas discretas – são aquelas em que os dados somente podem apresentar determinados valores, em geral, números inteiros. Por exemplo: número de filhos nascidos vivos, número de obras catalogadas.

b) Variáveis quantitativas contínuas – são aqueles cujos dados podem apresentar qualquer valor dentro de um intervalo de variação possível. Por exemplo: como valor de 1,67 cm de altura.

A distinção entre uma variável contínua e uma discreta é que nesta não existe a possibilidade, mesmo teórica, de se observar um valor fracionário.


Variáveis qualitativas (ou variáveis categóricas ou atributos) são as que fornecem dados de natureza não-numérica, como o sexo de um paciente e estado civil. Mesmo que os dados possam ser codificados numericamente (masculino = 1, feminino = 2), os números aqui são apenas símbolos sem valor quantitativo. Essas variáveis podem ter dois níveis de mensuração:

a) Nível nominal – nesse nível diferencia-se uma categoria de outra somente por meio da denominação da categoria. Por exemplo: sexo de um sujeito, masculino ou feminino, ou um paciente psicótico ou neurótico.

b) Nível ordinal – nesse nível não é possível identificar diferentes categorias nem reconhecer graus de intensidade entre elas, o que possibilita uma ordenação das várias categorias. É necessário, no entanto, que a gradação seja inerente à variável e não imposta por conveniência do pesquisador. Por exemplo: nível de satisfação de uma aula pode variar desde “o pior” até “o melhor”.


Para saber mais:
Sidia M. Callegari-Jacques. Bioestatística. Princípios e Aplicações. Porto Alegre: Artmed, 2003.

Imagem:
http://www.flickr.com/photos/peixdeterra/2465118670/

6 de junho de 2008

Estatística: Conceitos estatísticos à vinagrete

Desmistificando a estatística!


Estatística é a ciência que tem por objetivo orientar a coleta, o resumo, a apresentação, a análise e a interpretação de dados. Nesta ciência, podemos identificar duas grandes áreas de atuação: estatística descritiva (relaciona-se com o resumo e apresentação dos dados) e inferencial (ajuda a concluir sobre conjuntos maiores de dados/populações quando apenas partes desses conjuntos (amostras) foram estudadas. Os métodos de estatística inferencial são ferramentas imprescindíveis no teste das hipóteses científicas.


Unidade Experimental e de Observação são a menor unidade a fornecer uma informação. As unidades podem ser pessoas, animais, plantas, objetos. Unidade experimental são indivíduos que participam de uma situação de experimento controlado. Em uma situação experimental, o pesquisador interfere no processo, controlando não só os fatores intervenientes como temperatura, idade, como a designação dos indivíduos às diferentes condições experimentais. Já a unidade de observação, os levantamentos são planejados, onde se limita a registrar o que ocorre, sem interferir.


Dados são informações que podem ser numéricas ou não, obtidas de uma unidade experimental ou de observação. Por exemplo: “O sujeito tem 20 anos e é diabético”, os dados são “20 anos” e “diabético”. Ou quando se comenta que um acidente de trânsito com morte de uma pessoa, a unidade (observacional) é o assalto e o dado, a modalidade de acidente (com morte).


Variável é toda característica observada em uma unidade experimental, podendo variar de um indivíduo para o outro (no caso de pesquisas em humanos). Por exemplo: a idade de uma pessoa e seus hábitos quanto ao fumo, a cor de sementes de uma espiga de milho, o nível de hemoglobina no sangue.


Para saber mais:
Sidia M. Callegari-Jacques. Bioestatística. Princípios e Aplicações. Porto Alegre: Artmed, 2003.

Imagem:
http://www.flickr.com/photos/malota/2232228809/

30 de maio de 2008

Neurociências: Sistema Límbico com arroz integral


O sistema límbico está intimamente relacionado com a função de regulador do sistema nervoso autônomo e dos processos motivacionais essenciais à sobrevivência da espécie e do indivíduo, como fome, sede e sexo. Além disso, está relacionado aos mecanismos de memória e aprendizagem, e da regulação do sistema endócrino.

Os componentes do sistema límbico podem ser agrupados em duas áreas: cortical (giro do cíngulo, giro para-hipocampal e hipocampo) e subcortical (corpo amigdalóide, área septal, núcleos mamilares, núcleos anteriores do tálamo e núcleos habenulares).

Ao longo do tempo algumas teorias foram formuladas como a de James-Lange, Cannon e Bard, ativação de Lindsley e Papez. A partir do desenvolvimento de novas técnicas de neuroimagem, nosso conhecimento sobre as conexões do sistema límbico com outras estruturas vêm aumentando.


Para saber mais:

Machado, Ângelo. Neuroanatomia Funcional. São Paulo: Ed. Atheneu, 2002.

Imagem:

http://www.espacocomenius.com.br/sistema_limbico.jpg

27 de maio de 2008

Neurociência: Núcleos da Base com arroz gratinado


Os núcleos da base (ou gânglios da base) são um grupo de núcleos que estão interconectados com o córtex cerebral, tálamo e tronco cerebral. Os principais núcleos são o estriado (caudado e putâmen), globo pálido, núcleo subtalâmico e substância negra.


Nos mamíferos, esses núcleos estão associados ao controle motor, cognição, emoções e aprendizado. Como principais funções podemos citar a programação, iniciação e terminação, associadas a respostas motoras voluntárias e à memória procedural, assim como o controle da atividade motora através da regulação de impulsos neuromotores, auxiliando o planejamento e execução de movimentos realizados em seqüência.


O mau funcionamento de alguma dessas estruturas pode ocasiornar algumas síndromes como o Parkinsonismo e a Coréia de Huntington. No Parkisionismo, há uma degeneração dos neurônios da substância negra, ocasionando rigidez muscular, tremores nos braços e nas mãos e lentidão na execução de uma movimento. Já na Coréia, há uma alteração dos neurotransmissores presentes no corpo estriado, principalmente, acetilcolina, o que ocasionará hipotonia e realização de movimentos involuntários.


Para saber mais:

Gobbi, L.T.B.; Pieruccini-Faria, F.; Silveira, C.R.A. e Caetano, M.J.D. Núcleos da base e controle locomotor: aspectos neurofisiológicos e evidências experimentais. Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.20, p.97-101, Suplemento n.5., set. 2006.

*Slides da aula de neuroanatomia II - Yossi Zana. Ver http://www.landeira.org/disciplina.html

Imagem:

http://www.afh.bio.br/nervoso/img/ganglios%20basais%200.gif